terça-feira, 2 de agosto de 2016

PARÁ LIDERA PRODUÇÃO DE CACAU NO BRASIL, DIZ PESQUISA

O Pará este ano alcançará pela primeira vez o topo do ranking de produção de cacau no Brasil. A tomada de dianteira ainda é temporária. Isso porque a Bahia, o maior produtor do País, sofreu com a forte estiagem deste ano e teve uma quebra na safra prevista. Ainda com uma área plantada maior que a do Pará, que é hoje o segundo maior produtor nacional de cacau, estima-se que a Bahia se recupere dos efeitos da seca - o que permitirá que retome a liderança ainda na próxima safra.
Ainda que provisória, a chegada do Pará à liderança da produção cacaueira nacional é um grande termômetro dos avanços significativos colhidos pela lavoura paraense nos últimos cinco anos – mesmo que o Estado agora seja favorecido pelo revés climático sofrido pela Bahia. Ela expõe um panorama onde, encostando cada vez mais nas lavouras baianas, o Pará deve, em breve, se firmar definitivamente no primeiro lugar da produção cacaueira nacional. E isso está acontecendo através de uma peculiar combinação de esforços cooperados e condições muito oportunas para a produção paraense.
Além de parcerias entre o Governo do Estado e entidades governamentais, privadas e do terceiro setor para que a assistência técnica chegue às lavouras,o protagonismo da rede de pequenos produtores - que é a grande força da produção paraense -, as boas experiências do cacau em modelos agroflorestais de plantio e as condições geográficas, de solo e clima da Amazônia, são hoje os grandes trunfos da virada do cacau paraense, esperada para breve.
Em cinco anos, a produção cacaueira do Pará cresceu de 68,4 mil toneladas produzidas ao ano para 105,8 toneladas anuais – o que confere ao Estado uma participação de 42% na produção nacional. O crescimento médio da produção local é de 13% ao ano. Além disso, houve uma expansão de 38% da área cultivada paraense desde o início do Programa de Desenvolvimento da Cacauicultura no Pará (Prodecacau), em 2011.
A renda circulante da produção cacaueira entre os produtores do Estado também cresceu 146%, em especial como reflexo da progressiva elevação do preço do cacau no mercado internacional. "Essa assunção do Pará frente à Bahia ainda é episódica, determinada por fatores climáticos que causaram uma brutal queda da produção baiana este ano. Mas é importante ressaltar, apesar disso, a consistência do crescimento da produção paraense de 2011 para cá, após a implementação do Programa de Desenvolvimento da Lavoura Cacaueira no Pará", destaca o secretário Hildegardo Nunes, que está à frente da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap).
"Com isso, temos apresentado crescimento médio constante, de 10% a 13% ao ano. E isso tem permitido que já se pense em antecipar para 2020 a projeção de que até 2023 o Pará passe a ser o maior produtor de cacau do Brasil, superando a Bahia”.
Este ano a produção paraense será de 120 mil toneladas de amêndoas de cacau, enquanto a Bahia espera produzir entre 107 mil e 110 mil toneladas. Em 2015, o Pará produziu entre 105 mil e 110 mil toneladas do produto, enquanto a Bahia produziu cerca de 160 mil toneladas. A queda da produção baiana, causada pela estiagem, foi significativa, mas os números mostram como o Pará está se aproximando rapidamente do topo da produção cacaueira nacional.
Há tempos o cacau é uma importante fonte de riqueza para o Estado. No século XVIII, o fruto chegou a ser o principal produto de exportação do Estado do Grão Pará. Na época, a grande demanda do mercado europeu motivou até a instalação de uma linha marítima regular ligando Belém e Lisboa (Portugal). Hoje, olhando para o futuro, uma das grandes metas do Pará é seguir ampliando a oferta de assistência técnica a produtores.
No estado, cerca de 80% da produção cacaueira é derivada de pequenas propriedades baseadas na agricultura familiar, estabelecidas predominantemente em solos de média a alta fertilidade do Estado.
Uma proposta de intensificação desse atendimento será apresentada no próximo dia 9 de agosto, em reunião do Conselho Gestor do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau). Ao todo, cerca de 1.500 famílias de pequenos agricultores produtores de cacau deverão ser beneficiadas até 2019, planeja a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural e Assistência Técnica do Estado do Pará (Emater-Pará).
É mais um passo desde que o Governo do Estado do Pará definiu a cacauicultura como um dos segmentos prioritários da política agrícola estadual, ainda em 2011, através da então Secretaria de Agricultura. Em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), foi nessa época que surgiu o Programa Estadual de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Cacau (Prodecacau), que quer dinamizar e consolidar esta cultura.
PRODUTIVIDADE
Hoje a produção paraense de cacau, baseada na pequena agricultura familiar, já é uma das mais competitivas do mundo, com a produtividade média das terras plantadas de 903 quilos por hectare e o baixo custo de produção da lavoura paraense (US$ 750 por tonelada). O Estado hoje soma um universo de 30 mil produtores que têm relação com o cultivo do cacau.
“Já temos 160 mil hectares produzindo cacau no Pará, o que já asseguraria uma produção de 160 mil toneladas. Produzimos 120 mil toneladas porque parte dessa lavoura ainda não está em fase produtiva. A tendência é que se avance e o Pará chegue logo à meta estabelecida pelo programa, de 230 mil toneladas produzidas ao ano”, avalia o secretário Hildegardo Nunes. “A partir daí, vamos reavaliar o programa e as condições de expansão e manutenção, já que agora temos outro desafio, que é a melhoria da produtividade por área plantada”.
Na fase atual, o Pará busca expandir áreas de plantio. Mas chegará um momento em que a estratégia será invertida, pondera Hildegardo Nunes. “Teremos que intensificar o aumento e produtividade. Já temos alguns produtores que já chegam a até três mil quilos produzidos por hectare. Se conseguirmos dobrar essa produtividade média atual, teremos condições de nos tornar em breve um grande produtor mundial, sem precisar de expansão de áreas”. Fonte: O Liberal

Nenhum comentário:

Postar um comentário